Belém do Pará ofereceu ao mundo uma demonstração prática de resiliência institucional e capacidade de entrega. Em meio a limitações logísticas — escassez de hospedagem e preços pressionados pela demanda, cenário nada diferente do que se observa hoje para a Copa do Mundo FIFA 2026 — a cidade sediou uma conferência marcada menos pelo discurso e mais pela execução.

As novas NDCs avançaram às vésperas da COP 30. Estados subnacionais compensaram a ausência dos Estados Unidos em etapas decisivas, e o chamado “Pacote de Belém” reuniu 195 países em torno de compromissos formais.

Consolidou-se também o “Mapa do Caminho”, cuja implementação seguirá como desafio central da presidência brasileira até novembro.

A constatação de que eventos extremos já integram a normalidade climática impulsionou a “Meta Global de Adaptação". No financiamento, a expectativa de US$1 trilhão ao ano para países em desenvolvimento ganhou instrumento relevante com o “Tropical Forest Forever Facility", que deverá amadurecer até Antalya. 

Belém foi definida, por muitos observadores, como a COP do hands on — a COP da implementação.

Nesse ambiente, o debate sobre descarbonização veicular contou com a contribuição técnica do estudo desenvolvido pela Boston Consulting Group em parceria com a ANFAVEA. Sem prejuízo das alternativas apresentadas, o AgroSea ocupou seu espaço ao propor a integração definitiva dos oceanos à cadeia produtiva dos biocombustíveis.

A realização de Provas de Conceito com gramíneas e oleaginosas pretende ampliar a visão sobre energia veicular, incorporando também os modais marítimo e aéreo. Trata-se de agenda compatível com um país que já detém uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo e reúne condições para se afirmar como Potência Ambiental — referência internacional em sustentabilidade aplicada.

Transição Energética Justa e Combustíveis Fósseis, valorização da Amazônia, direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais, novas NDCs, saúde e mudanças climáticas, minerais estratégicos: os temas foram conduzidos pelo Itamaraty, sob a liderança de André Corrêa do Lago e Ana Toni, presidente e CEO da COP 30. O objetivo foi claro: conectar a agenda climática à economia real, traduzindo compromissos do Acordo de Paris em retorno econômico mensurável — um ROI que dialoga com o Social ROI, pois sem investimento de capital não há problema socioambiental que se resolva.

O AgroSea encerrou Belém promovendo o III Fórum de debates entre o capital financeiro e o conhecimento científico na AgriZONE da EMBRAPA. Agora, inicia a etapa decisiva: implementar ao longo dos próximos oito meses, até a COP 31 na Turquia com negociações conduzidas pela Austrália, o que exigirá disciplina técnica, articulação institucional e velocidade de execução.

Há lacunas a preencher. E há uma convicção: poder público e sociedade civil não competem — convergem. Seguro Rural e Recuperação Judicial são exemplos a exigir essa cooperação.

Com equipe multigeracional e multidisciplinar, a OSCIP AgroSea avança da reflexão à prática. Lançamos o Manifesto pelos Oceanos que acumula tempo decorrido desde a ECO 92 e estamos investindo em Provas de Conceito Porque, entre pessimistas, céticos e otimistas, prevalecem sempre as entregas.

AgroSea_Manifesto pelos Oceanos

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